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| Mauricio Eugenio - Presidente do Grupo Eugenio e diretor-associado da Elite Brasil |
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Em uma reunião recente, conversando com alguns dos mais importantes incorporadores brasileiros, ouvi deles algumas reclamações, não pela primeira vez.
O tema era o de como o incorporador e o construtor, como resultado de um processo nefasto, são mal vistos e mal falados pela sociedade, pelos órgãos públicos e por grande parte dos formadores de opinião. "Tratam-nos como especuladores, como destruidores ambientais", dizia um deles, muito contrariado.
Não se trata, aqui, de buscar as raízes dessa percepção social sobre o trabalho realizado pelos incorporadores e construtores. Alguns episódios, temos de reconhecer, foram protagonizados por profissionais sem seriedade e chegaram a comprometer a imagem do setor, o que acontece em todos os ramos de atividade. Mas foram outros tempos. E não estamos mais neles.
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É fato que a imagem não é boa. Além de serem penalizados com a burocracia, que limita, atrasa e dificulta os lançamentos, de sustentarem tributos elevados, construtores ainda se vêem retratados em novelas por protagonistas que são os vilões; em programas infantis, onde o "mau" é construtor – e até em propaganda política, onde certo partido afirma, como se isso demonstrasse que ele é o melhor, que "não recebe dinheiro da construção"!
Oras, convenhamos, é muita ignorância!
Essa visão é injusta e dicotômica. Injusta, pois são os incorporadores e construtores que, através de seus projetos e aliados aos agentes de crédito imobiliário, vão possibilitar que as camadas sociais que ficaram desassistidas nos últimos 20 anos, tenham acesso à casa própria (e morar em sua própria casa dignifica e eleva o homem).
E dicotômica, pois quando se fala em macro-economia é a construção civil que, cada vez mais, é citada como a grande alavanca do crescimento brasileiro. E quem é a construção civil, se não as grandes, pequenas e médias incorporadoras e construtoras? Quem são os líderes desse processo, senão os incorporadores e construtores?
Os incorporadores não são especuladores, são agentes do crescimento. E essa percepção precisa ser estendida à sociedade como um todo.
É preciso trabalhar muito para reverter essa imagem, que, pode-se dizer, já quase faz parte da cultura brasileira. Não adianta apenas reclamar, ou falar em pequenas reuniões, ou se comunicar com a sociedade através de suas áreas de RI (Relacionamento com o Investidor, setores das empresas que fizeram IPO e têm ações em bolsa). Nem imaginar que uma campanha publicitária resolverá o problema. Estamos diante de um dos grandes desafios de marketing desta indústria.
Pois é necessário um exercício de marketing profundo, sério e duradouro que envolva toda a cadeia da construção, não apenas as incorporadoras e construtoras. Além delas, há as imobiliárias, as agências de publicidade e comunicação, os fornecedores de materiais e máquinas - são centenas e centenas de milhares de pessoas envolvidas.
As empresas, e os incorporadores e construtores, precisam aprender a comunicar melhor suas ações, suas atitudes. É preciso mostrar a extensa atuação sócio-ambiental, social e educacional das incorporadoras e construtoras. Muitas delas atual socialmente, ajudando a alfabetizar, profissionalizar, preservar o meio ambiente. Afinal fazem parte de um mundo globalizado e dentro dele são agentes importantes do desenvolvimento social - mas precisam dizer isso à sociedade. E convencer a mídia - que também faz parte desse processo - a se abrir para esse ajuste de imagem.
Há muito para se evoluir, em todos os setores. É necessário atuar para diminuir a burocracia, tornar as ações de preservação ambiental mais ágeis e o relacionamento com o Ministério Público mais equilibrado. É necessário valorizar o incansável trabalho das nossas associações, inclusive o Secovi, e seus dedicados profissionais.
Quanto ao incorporador e o construtor, cabe a eles também evoluir na percepção de sua própria imagem, e reconstruí-la.
Não dá mais para ser vilão de novela.
kicker: Incorporadores não são especuladores, são agentes do crescimento. Essa percepção precisa ser estendida à sociedade
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